Conheci Dr. Pedro Homem de Mello numa tertúlia em casa de um amigo (ex- companheiro militar em Angola), que primava com o Poeta na amizade e em assuntos relacionados com "Ranchos, Grupos Etnográficos e Cantares Tradicionais do Norte".Como fui convidado para cantar na dita tertúlia e sobretudo para o famoso Poeta, preparei-me , ensaiando e fazendo-me acompanhar dos meus habituais amigos guitarristas -Tarcísio Costa e Fernando Silva . A responsabilidade era muita para me apresentar e cantar para o autor do poema "Povo que Lavas no Rio" que Amália Rodrigues eternizou..
Os nervos eram muitos, mas, dissiparam-se de imediato aquando das apresentações do anfitrião ao Poeta que se mostrou como sempre foi: Eloquente, sóbrio, simples e com aquele "vozeirão" nos cumprimentou com diplomacia.
Tudo correu bem , até alta madrugada; os convidados foram generosos nos aplausos e elogios acompanhados de um jantar simples e tradicional.
Nessa noite, fiquei a saber que Dr. Pedro Homem de Mello, andava à procura de um intérprete para um seu poema a concorrer para o "Festival da Canção/RTP" no ano de 1974.
Estávamos no verão de 1973 !
Pedro Homem de Mello conversou comigo convidando-me para um encontro com um pianista na cidade do Porto e assim inteirar-me da música e letra concorrente ao festival da canção.
Assim aconteceu, numa noite de chuva, lá apareci na direção indicada para os lados da Boavista, na cidade Invicta.
Para resumir: Trauteei a canção ao piano que tinha como título "Canção para o Poeta". com música do próprio pianista de nome Castelo Branco. Ambos gostaram do meu timbre de voz e que partir dali era só ensaiar diariamente e limar "arestas". Com tanto entusiasmo aceitei ser o intérprete para o "Festival da Canção RTP-1974.
Dr.Pedro H. de Mello, fez a inscrição e aguardamos os resultados do apuramento ou não da nossa canção concorrente.
Agora: O Festival/RTP seria em Maio/1974 para apurar o concorrente ao mesmo, só que no dia 25 de Abril desse mesmo ano houve a Revolução dos Cravos em Portugal; logo, todos aqueles "facistas" que concorreram foram eliminados e as partituras musicais rasgadas ou queimadas pelos ditos entendidos em "democracia" que, nós bem sabemos como tudo funcionou nessa altura nos meandros das comunicações sociais e da história de Portugal.
Como nada me dizia o que estava a acontecer e como estava recente a minha chegada de África/Angola como militar forçado a partir para uma missão que me diziam ser nobre e servidor da Pátria amada.
É bom lembrar, aqui, que fui "Furriel Miliciano do Serviço de Saúde e Ação Social" ao Serviço das Forças Armadas Portuguesas.
Tenho em mim a Honra e orgulho de que muitos nunca tiveram : «DEVER CUMPRIDO».
Mano Belmonte
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